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Os idiomas mais fáceis de aprender, com as horas atuais do FSI

Um ranking com as horas atuais do FSI, a pegadinha escondida em cada idioma e um teste honesto para escolher a língua que você realmente vai terminar. Um aviso já de cara: essas horas medem a distância a partir do inglês, não do português.

By glot.space·

Qual é o idioma mais fácil de aprender?

Para quem tem o inglês como língua materna, os idiomas mais fáceis são os nove da Categoria I do Foreign Service Institute: espanhol, português, italiano, francês, romeno, holandês, norueguês, sueco e dinamarquês. O FSI reserva de 24 a 30 semanas de aula para eles, algo entre 600 e 750 horas. A maioria dos alunos deveria escolher espanhol, holandês, norueguês ou italiano. Se o português é a sua língua materna, porém, esse ranking muda de figura: o espanhol e o italiano estão muito mais perto de você do que esses números sugerem.

Por que fácil depende de onde você está partindo

Um aviso antes de continuar, porque ele muda tudo. Todas as horas desta página medem a distância a partir do inglês, não do português. O FSI treina diplomatas dos Estados Unidos, então a lista dele registra quanto cada idioma custa para quem já fala inglês. Se o português é a sua língua materna, esse ranking está bastante errado do jeito que está escrito. O espanhol é de longe o caminho mais curto que você tem: a compreensão entre os dois é alta desde o primeiro dia e você já entende boa parte de um texto sem nunca ter estudado nada. O italiano vem logo atrás, e o francês e o romeno também partem de muito mais perto do que esses números indicam. Por outro lado, holandês, norueguês, sueco e dinamarquês não te entregam o presente de vocabulário latino que entregam a um falante de inglês. Leia essas horas como uma forma de comparar os idiomas entre si, nunca como o seu cronograma pessoal.

Nenhum idioma é difícil no abstrato. A dificuldade mede distância: o quanto a língua que você quer está longe da língua que você já tem. É por isso que o Foreign Service Institute dos Estados Unidos, a escola que forma os diplomatas americanos, nunca publica uma nota de dificuldade. Ele publica horas até a proficiência para falantes nativos de inglês, que é uma coisa bem diferente e bem mais honesta.

O FSI separa os idiomas em quatro categorias pelo tempo que os alunos levam para chegar ao nível 3 de fala e leitura na escala ILR do governo americano. A Categoria I é o grupo mais próximo do inglês, e é de lá que sai quase toda recomendação desta página. Para entender o sistema inteiro, incluindo o topo de 2.200 horas, leia o texto companheiro sobre os idiomas mais difíceis de aprender.

Quatro coisas decidem de verdade a sua velocidade:

  1. Vocabulário compartilhado. O inglês é uma língua germânica que passou séculos absorvendo francês e latim. Um levantamento computadorizado de 75.150 palavras do Shorter Oxford English Dictionary (Finkenstaedt e Wolff, 1973) apontou que 28,3% vinham do francês e 28,2% do latim, contra 25% de fontes germânicas. É por isso que línguas românicas e germânicas soam estranhamente familiares para quem fala inglês. E aqui está a boa notícia para você: esse mesmo estoque latino já é a sua casa, o que explica por que o espanhol e o italiano rendem tanto no seu caso.
  2. Gramática familiar. Ordem das palavras, tempos verbais, se os substantivos têm gênero. Cada hora que você não gasta com um sistema de casos é uma hora que você passa conversando.
  3. Um alfabeto que você já lê. Todos os idiomas desta página usam o alfabeto latino, então você começa a ler na primeira semana em vez da décima segunda.
  4. Material que vale a pena consumir. Os rankings ignoram esse ponto, e talvez seja o mais importante de todos. Um idioma com mil horas de vídeo, podcast e livro de graça que você curtiria de verdade é mais fácil na prática do que um idioma teoricamente mais simples e sem nada para assistir.

O quarto fator é o motivo de o idioma mais fácil e o idioma mais fácil para você quase nunca darem a mesma resposta.

Você já conhece mais palavras do que imagina

Aqui está uma palavra comum em nove dos idiomas abaixo. Você não estudou nenhum deles.

IdiomaA palavraPronúncia aproximadaSignificado
espanholinformaciónin-for-ma-SION (com o n final bem marcado)informação
portuguêsinformaçãoin-for-ma-SÃO (a sua própria palavra)informação
italianoinformazionein-for-ma-TSIÔ-neinformação
francêsinformationãn-for-ma-SIÕ (as duas vogais são nasais)informação
holandêsinformatiein-for-MA-tsiinformação
norueguêsinformasjonin-for-ma-CHUNinformação
suecoinformationin-for-ma-CHUNinformação
dinamarquêsinformationin-for-ma-CHONinformação
indonésioinformasiin-for-MA-siinformação

Francês, sueco e dinamarquês escrevem exatamente como o inglês. O indonésio nem é uma língua europeia e mesmo assim entrega a palavra de bandeja. Multiplique isso por política, ciência, comida e tecnologia e você enxerga onde a Categoria I economiza as horas dela. Repare também numa coisa que a versão original desta lista não diz: para você, o espanhol e o italiano dessa tabela são praticamente transparentes, e o francês vira leitura quase imediata. As duas vogais nasais do francês, que consomem semanas de um americano, você já produz desde criança.

Os idiomas mais fáceis de aprender, em ordem

Os prazos publicados pelo FSI colocam todo idioma da Categoria I em 24 semanas (600 horas de aula), com uma única exceção: o francês, com 30 semanas (750 horas de aula). É daí que vem a famosa faixa de 600 a 750 horas. Os números abaixo saem direto dessa lista.

1. Espanhol: 24 semanas (600 horas de aula)

Por que é fácil: cinco vogais limpas e uma ortografia que aponta direto para elas, então dá para ler em voz alta no primeiro dia. As raízes latinas entregam de graça milhares de palavras acadêmicas e técnicas.

A pegadinha: o modo subjuntivo, que o inglês quase não usa, e o R vibrante. O espanhol contrasta um toque rápido com uma vibração longa, e a diferença carrega sentido: pero é mas, perro é cachorro. Para você, nada disso é novidade. O português tem subjuntivo até mais completo que o espanhol, e você já faz a distinção de erres em caro e carro. A única diferença é que o R forte do espanhol é vibrante de língua, não o R aspirado do português brasileiro. Nosso guia sobre como fazer o R vibrante resolve isso.

Quem deveria escolher: quem quer o maior volume de material e o maior número de pessoas para praticar. O Ethnologue conta 562 milhões de falantes de espanhol, sendo 487 milhões nativos.

Material disponível: mais que qualquer outro idioma daqui, com folga. Comece por como aprender espanhol e pela nossa seleção de materiais para estudar espanhol.

2. Norueguês: 24 semanas (600 horas de aula)

Por que é fácil: ordem das palavras germânica que acompanha o inglês de perto e verbos que não se conjugam nem por pessoa nem por número. Er cobre é, sou e somos de uma vez: jeg er, du er, vi er. Depois de decorar seis formas de qualquer verbo em português, isso parece férias.

A pegadinha: o acento tonal. O norueguês tem dois padrões de melodia e eles separam palavras de verdade: bønder (agricultores) contra bønner (feijões, ou orações). Existem ainda dois padrões escritos oficiais, o Bokmål e o Nynorsk, embora o Bokmål cubra cerca de 86% do ensino fundamental.

Quem deveria escolher: quem quer a menor distância gramatical possível do inglês, ou quem vai morar na Noruega.

Material disponível: escasso. O norueguês tem cerca de 4,3 milhões de falantes nativos, então você esgota os podcasts para iniciantes muito antes de quem estuda espanhol.

3. Holandês: 24 semanas (600 horas de aula)

Por que é fácil: o holandês costuma ser descrito como algo que fica entre o inglês e o alemão. Ele não passou pela mudança consonantal que deu ao alemão aquele som, e perdeu quase todo o sistema de casos, então boa parte dele se lê como um inglês levemente disfarçado.

A pegadinha: a ordem das palavras. O verbo finito fica em segundo lugar na oração principal e depois o bloco inteiro de verbos escorrega para o fim na subordinada: Jan zei dat hij zijn moeder wilde gaan helpen (Jan disse que queria ir ajudar a mãe dele). Some a isso a divisão entre os artigos de e het, que é basicamente decoreba.

Quem deveria escolher: quem quer uma língua germânica com mais alcance que o norueguês. São cerca de 25 milhões de falantes nativos e 30 milhões no total, com status oficial na Holanda, na Bélgica, no Suriname e no Caribe holandês.

Material disponível: moderado, com um detalhe. Os holandeses costumam falar um inglês excelente, então manter a conversa em holandês exige teimosia consciente.

4. Português: 24 semanas (600 horas de aula)

Essa é a sua língua, então aproveite a seção para ver o que um americano enfrenta quando decide aprendê-la.

Por que é fácil para eles: uma língua românica com o mesmo dividendo de vocabulário latino do espanhol e 269 milhões de falantes para usar.

A pegadinha: as vogais nasais. O ão de informação não tem equivalente em inglês e custa semanas de treino. Eles também precisam escolher uma variante cedo, porque o português brasileiro e o europeu diferem em pronúncia, vocabulário do dia a dia e posição dos pronomes na frase.

Quem deveria escolher: qualquer pessoa atraída pelo Brasil, ou quem quer um idioma mundial menos concorrido que o espanhol. Nossa lista de palavras em português funciona bem como teste de sabor, e vale a leitura mesmo para brasileiros que querem explicar a própria língua para um amigo estrangeiro.

Material disponível: muito, e majoritariamente brasileiro. Música, televisão e YouTube em português brasileiro não faltam; o material europeu é um poço bem menor.

5. Sueco: 24 semanas (600 horas de aula)

Por que é fácil: poucas flexões, verbos que ignoram a pessoa e um bônus que quase todo ranking esquece. Sueco, norueguês e dinamarquês são em grande parte inteligíveis entre si na escrita, então uma língua escandinava compra acesso parcial às outras duas.

A pegadinha: dois tons, como no norueguês, mais a divisão de gênero entre en e ett, que na maior parte precisa ser aprendida palavra por palavra.

Quem deveria escolher: quem quer a Escandinávia com mais gente por trás. O sueco tem cerca de 10 milhões de falantes nativos e mais 3 milhões que o usam como segunda língua.

Material disponível: respeitável para o tamanho dele, e melhor que o do norueguês ou do dinamarquês.

6. Italiano: 24 semanas (600 horas de aula)

Por que é fácil: a ortografia é quase fonética e as vogais são limpas, então ler em voz alta é simples desde a primeira semana. Para você, a proximidade é ainda maior: boa parte do vocabulário é reconhecível de primeira e a musicalidade das sílabas abertas é familiar. Se quiser um primeiro contato leve, experimente os números em italiano.

A pegadinha: o volume de conjugação. Todo verbo muda para seis pessoas em cada tempo, e o italiano mantém tempos que o inglês abandonou. Um verbo regular, parlare (falar), só no presente:

PessoaFormaSignificado
ioparloeu falo
tuparlivocê fala
lui / leiparlaele / ela fala
noiparliamonós falamos
voiparlatevocês falam
loroparlanoeles falam

Repare como essa tabela é quase a sua: o português conjuga do mesmo jeito, com as mesmas seis pessoas. O que assusta um americano é rotina para você. Depois vem o congiuntivo, o subjuntivo, que reaproveita algumas dessas terminações para outras funções. Parli é ao mesmo tempo você fala e uma forma de subjuntivo, e separar as duas leva um tempo.

Quem deveria escolher: quem se move por comida, arte, ópera ou história de família. O italiano tem cerca de 66 milhões de falantes, sendo 60 milhões nativos.

Material disponível: forte, ainda que seja uma fração do espanhol.

7. Francês: 30 semanas (750 horas de aula)

Por que é fácil: a maior sobreposição de vocabulário desta página. O francês forneceu 28,3% das entradas naquele levantamento do Shorter Oxford, e é por isso que um texto em francês parece meio legível antes de você estudar uma palavra sequer.

A pegadinha: a distância entre escrita e som. Terminações mudas, ligações entre palavras, vogais nasais e várias grafias para o mesmo som. O francês é o único idioma da Categoria I a que o FSI dá 30 semanas em vez de 24, e a pronúncia responde por boa parte disso. Vale lembrar que as vogais nasais, o item mais caro da lista para um americano, saem de graça para você. Os números em francês mostram o padrão rapidinho.

Quem deveria escolher: quem quer alcance fora da Europa. O francês tem 334 milhões de falantes, e 258 milhões deles o usam como segunda língua, na África Ocidental e Central, no Canadá e na Europa.

Material disponível: excelente, atrás apenas do espanhol aqui.

8. Dinamarquês: 24 semanas (600 horas de aula), com um asterisco

O dinamarquês é o único idioma da lista em que o número do FSI engana, e engana numa direção específica: dinamarquês é fácil de ler e difícil de ouvir.

Por que é fácil no papel: gramática escandinava, flexão mínima e um dinamarquês escrito próximo o bastante do norueguês e do sueco para que a leitura transite entre os três.

A pegadinha: a fala. O dinamarquês tem 27 vogais fonemicamente distintas, o stød (uma travadinha rascante na voz que separa palavras) e uma redução pesada das sílabas átonas na conversa comum. O próprio resumo da Wikipédia registra que o dinamarquês é às vezes considerado um idioma difícil de aprender, adquirir e entender, e pesquisas indicam que as crianças dinamarquesas demoram mais que as vizinhas para dominar essas distinções de som. Dinamarquês, norueguês e sueco escritos são compatíveis; o dinamarquês falado é o ponto fora da curva.

Os números são um enigma à parte. As dezenas dinamarquesas rodam numa base vinte: halvtreds (50) é abreviação de halvtredsindstyve, meio terceiro vezes vinte, ou seja, 2,5 x 20. Halvfjerds (70) é 3,5 x 20 e halvfems (90) é 4,5 x 20.

Quem deveria escolher: quem vai morar na Dinamarca. Fora isso, prefira o norueguês, que dá quase o mesmo acesso à leitura com um sistema de sons bem mais amigável.

Material disponível: limitado. Cerca de 5,5 milhões de falantes nativos.

Duas escolhas populares que não são Categoria I

Indonésio e malaio: Categoria II do FSI, cerca de 36 semanas (900 horas de aula)

Metade da internet arquiva o indonésio na gaveta dos idiomas mais fáceis de aprender. O FSI não. Ele fica na Categoria II ao lado do alemão, do crioulo haitiano, do malaio e do suaíli, com aproximadamente 36 semanas ou 900 horas de aula. O indonésio, aliás, é uma variedade padronizada do malaio.

A gramática, porém, talvez seja a mais simples de toda esta página. Os verbos não flexionam por pessoa nem por número e não marcam tempo. Não existe gênero gramatical. A escrita é latina. O plural se faz dizendo a palavra duas vezes: buku (livro) vira buku-buku (livros). O tempo vem de palavrinhas em vez de terminações, como sudah (já) e belum (ainda não).

Então por que 900 horas em vez de 600? Porque quase nada se transfere. Vocabulário, expressão e referência cultural são terreno novo do zero, o que mostra quanto trabalho o vocabulário compartilhado faz em silêncio na Categoria I.

Quem deveria escolher: quem quer uma língua não europeia sem alfabeto novo e sem tons. O indonésio tem 255 milhões de falantes, sendo 78 milhões nativos. Se você prefere ficar no ramo germânico, a outra opção de Categoria II é o alemão, com muito mais material que o norueguês e quatro casos gramaticais como preço; os números em alemão são um jeito tranquilo de testar a água.

Africâner: sem registro atual no FSI

A página que ocupa o primeiro lugar para essa palavra-chave coloca o africâner (afrikaans) em primeiro lugar e atribui a ele 24 semanas ou 600 horas. A lista publicada atualmente pelo FSI não traz o africâner de jeito nenhum. Versões antigas da lista, que circulam bastante, incluíam o idioma, mas não existe número atual com fonte, e é melhor dizer isso do que repetir um dado solto.

O que é verdade: o africâner nasceu do holandês do século 17, e estima-se que de 90 a 95% do vocabulário dele seja, no fim das contas, holandês. A gramática realmente é simplificada. Os verbos não conjugam por pessoa, não há gênero gramatical (die é o artigo definido para tudo) e is cobre todas as pessoas do verbo ser. A marca registrada é a negação dupla: Hy kan nie Afrikaans praat nie, literalmente Ele não pode africâner falar não. Para um brasileiro, aliás, a negação dupla soa menos estranha do que para um americano, já que a gente diz não vou não sem pensar duas vezes.

Quem deveria escolher: quem tem ligação com a África do Sul ou a Namíbia. São aproximadamente 7,2 milhões de falantes nativos. Fora desse círculo, o material de estudo é escasso.

O verdadeiro ponto fora da curva: o esperanto

Se você quer o idioma mais fácil por puro projeto, é o esperanto, e nem é páreo. L. L. Zamenhof publicou a língua em 26 de julho de 1887 sob o pseudônimo Dr. Esperanto, com um alfabeto e dezesseis regras de gramática. Toda a flexão verbal é regular: -as para presente, -is para passado, -os para futuro, -i para infinitivo. A classe da palavra vem escrita na terminação, com -o para substantivos, -a para adjetivos e -e para advérbios. O plural leva -j e o objeto direto leva -n. Não existem verbos irregulares, porque não existem exceções das quais eles pudessem nascer.

A pegadinha honesta é com quem você vai falar. As estimativas vão de cerca de 30 mil falantes a dois milhões, dependendo do método de contagem, com algo perto de 1.000 a 2.000 falantes nativos, chamados denaskuloj. Nenhum país o adotou. Você fica fluente rápido demais e depois tem dificuldade para encontrar alguém com quem exercer essa fluência. Trate o esperanto como um exercício de confiança ou um brinquedo linguístico, não como habilidade de viagem.

As cinco melhores escolhas, lado a lado

EspanholNorueguêsHolandêsItalianoPortuguês
Tempo de aula segundo o FSI24 semanas / 600 h24 semanas / 600 h24 semanas / 600 h24 semanas / 600 h24 semanas / 600 h
Palavras que você já reconheceMuito alta (latim)Alta (germânico)Alta (germânico)Muito alta (latim)Muito alta (latim)
Dificuldade de pronúnciaBaixa, fora o R vibranteMédia (acento tonal)Média (g, ui, eu)A menor das cincoMédia (vogais nasais)
Dificuldade de gramáticaMédia (subjuntivo)A menor das cincoMédia (verbo no fim da oração)Média-alta (conjugação)Média-alta (conjugação)
Material de estudo disponívelEnormeEscassoModeradoGrandeGrande, quase todo brasileiro
Falantes (Ethnologue)562 milhões4,3 milhões30 milhões66 milhões269 milhões

Mais fácil é a pergunta errada

Aqui está o número que deveria mudar a forma como você lê tudo lá em cima. Aquelas 600 horas são horas de sala de aula, e o FSI aplica cerca de 25 delas por semana (600 horas ao longo de 24 semanas). Isso é mais que meio expediente, com professores profissionais, tudo custeado e sem mais nada na sua agenda.

Você não vai fazer isso. Ninguém que trabalha faz. A cinco horas semanais, que já é um ritmo realista, 600 horas de aula viram 120 semanas, mais de dois anos, só para empatar com o tempo de sala. O número do FSI é uma proporção, não um cronograma: serve para comparar norueguês com coreano e não serve para montar a sua agenda.

O que decide se você termina é quantas horas você aguenta colocar, e isso é uma questão de motivação fantasiada de dificuldade. A pesquisa sobre aquisição de idiomas chega sempre ao mesmo lugar: você aprende com insumo compreensível, ou seja, com grandes quantidades de língua que você consegue acompanhar na maior parte do tempo. Insumo que dá prazer é insumo ao qual você volta.

Então faça a comparação de outro jeito. Quem ama cinema japonês, acompanha YouTube japonês e lê mangá absorve horas de japonês por semana sem chamar aquilo de estudo. Quem tritura flashcards de norueguês porque uma listinha disse que norueguês era o mais fácil desiste em março. O FSI diz que o japonês custa quatro vezes mais horas. Ele não diz nada sobre qual desses dois chega primeiro às mil horas.

Dois testes antes de você se comprometer:

  1. O teste do conteúdo. Procure algo que você assistiria ou leria de verdade naquele idioma. Se encontrar três coisas que quer consumir esta semana, a língua tem insumo suficiente para você. Se não encontrar nada, nenhuma categoria do FSI salva isso.
  2. O teste do motivo. Cite uma pessoa, um lugar, um trabalho ou um pedaço de cultura específico pelo qual você quer o idioma. Dizem que é fácil não é motivo e não sobrevive ao quarto mês.

Se os dois testes passarem e você ainda estiver dividido, o espanhol ganha no volume de material e o norueguês ganha na distância gramatical. Se nenhum idioma da Categoria I passar, vá aprender o idioma mais difícil com o qual você realmente se importa. Os idiomas mais fáceis de aprender só continuam fáceis enquanto você continua aparecendo, então quantas palavras você precisa para ser fluente é uma meta melhor do que uma contagem de horas.

Escolha um e comece esta semana

O espanhol te dá o maior volume de material, o maior número de falantes e o progresso mais visível. Para quem fala português, é também a menor distância possível entre você e um segundo idioma.

Resumo rápido

  • A resposta curta

    A Categoria I do FSI é o degrau fácil para quem fala inglês: espanhol, português, italiano, francês, romeno, holandês, norueguês, sueco e dinamarquês, com 24 a 30 semanas de aula.

  • As horas

    O FSI reserva 24 semanas (600 horas de aula) para um idioma de Categoria I e 30 semanas (750 horas) para o francês, sua única exceção. São horas de sala em tempo integral, não um cronograma de quem estuda nas horas vagas.

  • Todo idioma fácil tem um ferrão

    O espanhol tem o subjuntivo e o R vibrante, o holandês manda os verbos para o fim da oração, norueguês e sueco usam acento tonal e o dinamarquês é fácil escrito e difícil falado.

  • Confira o rótulo antes de confiar

    O indonésio é Categoria II (cerca de 900 horas), não Categoria I. O africâner não está na lista do FSI, apesar das horas que você vai ver citadas por aí.

  • O que decide de verdade

    Insumo disponível e motivação pessoal pesam mais que categoria do FSI. E, se o seu idioma é o português, a menor distância de todas é o espanhol, seguido do italiano: nenhuma dessas horas foi calculada pensando em você.

Perguntas frequentes sobre os idiomas mais fáceis de aprender

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